due diligence

Comprar imóvel sem due diligence: o risco silencioso que pode virar prejuízo

É comum que compradores de imóveis dispensem a contratação de um advogado para realizar a due diligence imobiliária, especialmente quando a negociação parece simples ou envolve vendedores particulares e imobiliárias conhecidas.

A justificativa quase sempre é a mesma:
“É só um imóvel usado”, “a imobiliária já verificou tudo”, “o cartório não deixaria registrar se houvesse problema”.

Na prática, porém, a realidade é outra.

A due diligence imobiliária não se resume à leitura superficial do contrato. Ela envolve a análise jurídica prévia de elementos que podem gerar prejuízos significativos ao comprador, como:

existência de débitos de IPTU ou taxas municipais;

ônus reais ou pendências que recaem sobre o imóvel;

cláusulas contratuais desequilibradas;

riscos relacionados à posse, à imissão ou à regularização do título;

responsabilidades que, embora “não apareçam” no momento da compra, surgem após a assinatura.

Em um caso recente, o comprador só teve conhecimento de uma dívida de IPTU superior a R$ 25.000,00 após já ter pago ITBI e estar prestes a registrar a escritura. A dívida, anterior à compra, não havia sido informada pela imobiliária nem assumida pelo vendedor, apesar de cláusula contratual prevendo a entrega do imóvel livre de ônus.

O resultado?
Um problema que poderia ter sido resolvido antes da assinatura do contrato passou a exigir:

tentativas frustradas de acordo;

risco de ação judicial;

gastos com laudos, honorários e tempo;

e incerteza quanto ao desfecho.

Esse é apenas um exemplo de como a ausência de due diligence transforma uma compra aparentemente segura em um litígio complexo.

Do ponto de vista econômico, a conta é simples:
o valor investido em uma análise jurídica prévia é incomparavelmente menor do que o custo financeiro, emocional e temporal de uma disputa judicial posterior.

A due diligence imobiliária não serve para “impedir negócios”, mas para permitir decisões conscientes, com pleno conhecimento dos riscos envolvidos.

Em Direito Imobiliário, o barato quase sempre sai caro — e, muitas vezes, sai caro demais.